Simpatia e altruísmo moral em David Hume
Simpatia e altruísmo moral em David Hume
Francisco Alvarenga Junnior Neto,Isabella Martins Passos
Abstract
A questão de que trata este artigo diz respeito a relação entre simpatia e altruísmo na filosofia moral do filósofo escocês David Hume. No livro Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral (2004), o termo simpatia é apontado por Hume como sendo a capacidade que um indivíduo possui de ser afetado por situações particulares de outros indivíduos, sendo tal ocorrência de afetação a condição necessária para que se erija um edifício moral. Assim, na busca de aclararmos a relação existente entre a simpatia e a teoria moral altruísta, buscaremos em um primeiro momento demonstrar que em Hume não há uma primazia da razão sobre os sentimentos, mas sim o contrário. Em um segundo momento, será realizado um aprofundamento acerca da simpatia na teoria moral humeana. Por fim, após tais realizações, o intuito será de demonstrar como as elucidações acerca de uma ética altruísta tem suas raízes em Hume e suas elaborações conceituais sobre uma ética fundada nos sentimentos, onde nossas distinções morais se prefiguram como, antes de meras elaborações racionais, advindas da capacidade simpática que nos é própria e nos permite separarmos aquilo que nos agrada e desagrada ao mesmo tempo que nos faz agir de modo interessado no bem-estar dos outros e da comunidade humana.
