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SECULARIZAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS DO INDIVIDUALISMO NA SOCIEDADE DO SUJEITO: RECONHECIMENTO, SOFRIMENTO PSÍQUICO E BUSCA DE SENTIDO NA MODERNIDADE TARDIA

J. Ferreira

2026 · DOI: 10.70773/revistatopicos/781234369
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Abstract

O presente artigo analisa as relações entre secularização, individualismo e sofrimento psíquico na modernidade tardia, investigando os impactos da centralidade contemporânea do sujeito sobre as formas de construção identitária, pertencimento social e produção de sentido. Parte-se da compreensão de que a secularização não deve ser interpretada apenas como declínio da religião, mas como transformação das condições culturais da crença e da descrença nas sociedades modernas. A partir do diálogo com Charles Taylor, Peter Berger, José Casanova, Byung-Chul Han, Zygmunt Bauman, Axel Honneth, Hartmut Rosa e Miroslav Volf, argumenta-se que a ampliação da autonomia individual, embora constitua uma das mais importantes conquistas da modernidade, produziu efeitos ambivalentes. Ao mesmo tempo em que favoreceu processos de emancipação, também contribuiu para a fragilização dos vínculos comunitários, para a intensificação do isolamento social e para o crescimento de experiências relacionadas à ansiedade, à solidão e à perda de referenciais compartilhados de significado. O artigo sustenta que a crise contemporânea pode ser interpretada como uma crise de reconhecimento, pertencimento e sentido. Nesse contexto, religião, espiritualidade e experiências comunitárias permanecem relevantes como recursos simbólicos capazes de contribuir para a reconstrução de vínculos humanos, da confiança social e da esperança coletiva.