Psicanálise OU Racismo
Psicanálise OU Racismo
S. Askofaré
Abstract
O artigo aborda a relação entre a psicanálise e o racismo, um tema frequentemente subestimado pelos psicanalistas, especialmente na Europa. Questionando se essa negligência decorre de indiferença no meio psicanalítico em relação à sociologia. No entanto, ele se compromete a abordar a questão, reconhecendo sua complexidade e abrangência. Tece uma crítica a abordagem convencional de tratar o racismo a partir do nome de um autor psicanalítico, como "Freud e o racismo" ou "Lacan e o racismo", argumentando que isso limita a compreensão do problema. Em vez disso, propõe uma análise mais ampla, considerando como a psicanálise nasceu em sociedades racialmente homogêneas e como a questão da alteridade foi inicialmente apresentada em termos de religião, linguagem, classe social e sexualidade. Discute a evolução do conceito de raça na psicanálise, destacando que a psicanálise se afasta do naturalismo biológico e não sustenta uma hierarquia essencialista entre grupos humanos. Enfatiza que a psicanálise se baseia na diferença e na linguagem, opondo-se fundamentalmente ao racismo. Argumenta que a psicanálise não pode ficar indiferente ao racismo devido à sua história, especialmente sua interação com a história da colonização e descolonização. Ressaltando que, atualmente, a psicanálise é desafiada pela questão racial e social, e a alternativa é nítida: psicanálise ou racismo. Apontando a incompatibilidade entre a psicanálise e o racismo, destacando a importância de a psicanálise contribuir para a luta contra o racismo em todas as suas formas.
