"O potro do Estado": o retrato de Maria Luísa de Parma por Goya e a tradição de retratos equestres na Espanha e Europa
"O potro do Estado": o retrato de Maria Luísa de Parma por Goya e a tradição de retratos equestres na Espanha e Europa
F. Gomes
Abstract
O artista espanhol Francisco de Goya y Lucientes (1746-1828) possui uma vasta produção artística e muito diversa, pela qual é lembrando como um dos principais artistas da história espanhola. “Don Paco”2 se concentrou na produção de diversos temas e gêneros da pintura. Nas décadas de 1780 e 1790. Goya possuía uma carreira invejável, recebia encomendas de diversos nobres e príncipes da casa real, inclusive do rei Carlos III. Suas conexões com Francisco Bayeu (1734-1795) e Anton Raphael Mengs (1728-1779) lhe garantiram uma oportunidade de demonstrar sua habilidade diante da corte espanhola, inclusive de conseguir as encomendas dos Cartones para Tapices (1775-1792), uma série de pinturas temáticas destinadas a se tornarem tapeçarias para decorar os prédios oficiais do Estado espanhol, bem como diversos palácios reais. Essa foi uma das portas de entrada que garantiu ao artista aragonês um reconhecimento dos reis espanhóis e que o levará a pintar os retratos destes. É importante notar evidência do envelhecimento (seja ele tardio ou precoce em seus modelos) e rostos considerados “feios” ou incomuns por diversos historiadores da arte – vide Gombrich3 ou Robert Rosemblum;4 essas características podem ser interpretadas como confirmações de uma sátira velada que o artista fazia aos seus patronos, como o próprio Peter Burke aponta como uma questão em sua obra, Testemunha Ocular:
