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Inteligência Artificial e o futuro das profissões: entre a substituição funcional e a reconfiguração estrutural do trabalho

Rodrigo Oliveira Miranda,L. C. Costa,5 Authors,Sóstenes Michael Carreiro Silva

2026 · DOI: 10.23900/ra.v24i110.676
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Abstract

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) tem provocado transformações profundas nas dinâmicas econômicas, organizacionais e profissionais da sociedade contemporânea, reconfigurando as relações entre tecnologia, trabalho e produção de conhecimento. Sistemas fundamentados em aprendizado de máquina, automação cognitiva e análise de grandes volumes de dados têm ampliado de forma expressiva a capacidade das máquinas de executar tarefas tradicionalmente associadas à cognição humana, abrangendo atividades de análise informacional, suporte à tomada de decisões e produção automatizada de conteúdo. Nesse cenário, o debate sobre o futuro das profissões tem adquirido centralidade no campo acadêmico e nas discussões sobre políticas públicas e planejamento econômico. Enquanto determinadas abordagens enfatizam o potencial da IA para substituir ocupações baseadas em tarefas repetitivas ou previsíveis, outras perspectivas sustentam que a principal consequência dessas tecnologias tende a ser a transformação estrutural do trabalho, e não sua eliminação. O presente estudo analisa criticamente os impactos da inteligência artificial no futuro das profissões, investigando se tais tecnologias representam predominantemente um processo de substituição do trabalho humano ou se configuram como fator de reconfiguração das atividades profissionais e das competências requeridas pelo mercado de trabalho. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa desenvolvida por meio de revisão sistemática da literatura científica recente sobre inteligência artificial, automação do trabalho e economia digital. A análise evidencia que a IA possui potencial para automatizar diversas tarefas operacionais e cognitivas, sobretudo em setores intensivos em processamento de dados e atividades padronizadas. Contudo, observa-se igualmente que essas tecnologias têm contribuído para a criação de novas ocupações, para a redefinição das funções profissionais existentes e para o surgimento de modelos híbridos de colaboração entre humanos e sistemas inteligentes. Conclui-se que o impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho não deve ser interpretado exclusivamente em termos de substituição de trabalhadores por máquinas, mas como um processo complexo de reconfiguração das estruturas ocupacionais e das competências profissionais exigidas na economia digital.