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Ilegitimidade e Subversão: Como a Insatisfação Popular Redefine a Política em Moçambique

Jochua Abrão Baloi

2025 · DOI: 10.15210/rsulacp.v11i1.28551
Revista Sul-Americana de Ciência Política · 0 Citations

Abstract

Este artigo pretende analisar o paradoxo da ilegitimidade política em Moçambique, onde a crescente insatisfação popular redefine as dinâmicas de contestação e poder frente ao regime do partido Frelimo. O artigo argumenta que a ilegitimidade política em Moçambique, evidenciada pelo crescente apoio popular a movimentos subversivos, reflecte uma ruptura profunda entre o Estado e o cidadão, em que a população, mesmo em condições de vulnerabilidade, busca alternativas que ressoem com suas demandas, enquanto rejeita um regime que considera desconectado de suas necessidades. Este fenómeno traduz uma ruptura profunda entre o Estado e o cidadão comum, configurando um “divórcio litigioso” em que as estruturas de poder tradicionais perdem gradativamente sua legitimidade aos olhos do povo. O estudo analisa os elementos estruturais e conjunturais que contribuem para essa crise de legitimidade, explorando como factores históricos, económicos e sociais têm fomentado a alienação e o descontentamento popular. Ao apoiar movimentos subversivos, a população sinaliza não apenas uma rejeição às práticas políticas vigentes, mas também uma busca por formas de governança que ressoem com suas demandas e expectativas reais. A partir de uma abordagem qualitativa, e por meio de uma análise crítica e comparativa, que incorporam perspectivas teóricas, oferecendo uma leitura densa sobre a ilegitimidade e a subversão em contextos pós-coloniais e pós-eleitorais africanos, o artigo conclui que a resolução dessa crise de legitimidade passa pela implementação de políticas representativas, que restabeleçam a confiança pública e promovam uma nova relação entre o governo e a sociedade em Moçambique.