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Estudante universitário: características e experiências de formação

Adriana Cristina Boulhoça Suehiro

2004 · DOI: 10.1590/S1413-82712004000100013
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Abstract

Diante da constatação de que o estudante universitário tem sido pouco focalizado nos estudos referentes ao sistema de ensino superior, visto que, na maioria das vezes, são apenas participantes das pesquisas, as organizadoras desse livro objetivam promover uma aproximação de produções científicas, nas quais o objeto central de estudo é o universitário. Ao lado disso, pretendem favorecer a discussão sobre os conhecimentos necessários para a compreensão de suas necessidades. Convictas de que o conhecimento sobre esses estudantes envolve a identificação de suas características ao chegar à universidade, o conhecimento sobre a forma como se dá a sua interação com a nova realidade educacional e suas conseqüências em relação à formação, Mercuri e Polydoro organizam os textos de modo a oferecer um panorama sobre as diferentes questões focalizadas nesta área de estudo. Os nove capítulos, escritos por profissionais de Psicologia e áreas afins, referem-se a estudos desenvolvidos por meio de diversas abordagens teóricas e metodológicas, caracterizando-se como estudos independentes, porém relevantes para uma compreensão mais aprofundada das mudanças ocorridas no nível superior de ensino. No capítulo inicial, Leandro de Almeida e Ana Paula Soares apresentam uma análise da literatura sobre como se processa a transição dos estudantes do Ensino Secundário para o Ensino Superior, destacando que ela não se circunscreve apenas a aspectos acadêmicos, mas integra questões pessoais e sociais. Assim, descrevem os principais desafios e dificuldades do processo de transição e adaptação do estudante ao ensino superior, especialmente, no que se refere ao rendimento escolar e desenvolvimento psicossocial. Em suas conclusões, fazem referência às práticas e serviços institucionais dirigidos, por algumas instituições, aos estudantes mais fragilizados neste processo, destacando que os resultados da investigação realizada permitem concluir que nem todos os universitários precisam do mesmo tipo de apoio nessa nova fase de suas vidas, já que suas motivações, habilidades cognitivas, background acadêmico, expectativas e níveis de autonomia acabam diferenciando-os. A investigação de Almeida e Soares sugere, ainda, que uma das formas de favorecer a integração e a adaptação desses estudantes está em propiciar oportunidades para sua participação social e desenvolvimento acadêmico. Cônscios da necessidade de estudos que apresentem o universitário como foco de análise e, especificamente, dos aspectos psicológicos envolvidos na trajetória de formação desses estudantes e da necessidade de que as instituições planejem e implantem estratégias mais adequadas ao desenvolvimento integral dos mesmos, Soely A. J. Polydoro e Ricardo Primi trazem, no segundo capítulo, os resultados obtidos em uma pesquisa que buscou verificar a contribuição das características de personalidade para a adaptação ao Ensino Superior. Os resultados obtidos indicam, por um lado, que a crença dos estudantes em suas capacidades, o desejo de mudanças e a competência em organizar estratégias de ação associam-se a uma tendência maior de adaptação. Por outro lado, características como a organização, persistência e independência relacionam-se à maior dedicação de tempo aos estudos. Polydoro e Primi encerram sua contribuição, salientando a necessidade de outros estudos que abordem esse tema, tendo em vista que a integração do estudante é um processo multifacetado que exige uma abordagem mais ampla do que a relatada, em sua avaliação e intervenção. Considerando a importância da motivação dos estudantes para que a aprendizagem se concretize e os resultados de pesquisas recentes sobre o tema, Rita da Penha Campos Zenorini e Acácia Aparecida Angeli dos Santos analisam, no capítulo três, as relações entre os diferentes tipos de metas de realização (aprender e performance) e o uso de estratégias de aprendizagem no desempenho acadêmico de alunos universitários. Os resultados evidenciam uma correlação significativa entre a utilização de estratégias de aprendizagem (cognitivas complexas e metacognitivas) com o desempenho acadêmico. O estudo revela ainda que os alunos orientados à meta performance apresentam correlação negativa com a maioria dos fatores da escala de estratégias e com o desempenho acadêmico e que as mulheres mostram-se mais orientadas para a meta aprender, utilizam mais freqüentemente estratégias de aprendizagem e apresentam um desempenho acadêmico mais elevado. Isabel Cristina Dib Bariani traz sua contribuição para a compreensão do estudante universitário, no capítulo quatro, apresentando estudos oriundos da literatura sobre os estilos cognitivos. A autora considera que os estilos cognitivos são uma dentre as muitas variáveis