Desalinhamento educacional, desemprego juvenil e rendimentos: evidências em painel para capitais brasileiras
Desalinhamento educacional, desemprego juvenil e rendimentos: evidências em painel para capitais brasileiras
Anderson Gonçalves Portella,Robson Ferreira de Souza,Alexandre Beraldi Santos,Marcos dos Santos
Abstract
O Brasil viveu, entre 1990 e 2023, uma das maiores expansões do ensino superior de sua história, impulsionada por políticas de acesso como o ProUni, o FIES e o REUNI, além da massificação do Ensino a Distância (EaD). Paradoxalmente, esse crescimento não eliminou o desalinhamento estrutural entre o perfil de formação dos egressos e as competências demandadas pela estrutura produtiva local. Este artigo analisa a evolução desse fenômeno em 11 capitais brasileiras no período 2014–2023, por meio de um painel balanceado de 110 observações construído a partir do Censo da Educação Superior (INEP) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE). O desalinhamento é mensurado pelo Índice de Dissimilaridade de Duncan, operacionalizado com base em cinco macro-categorias paralelas entre o CINE Brasil e o CNAE 2.0. Os resultados indicam redução acumulada de aproximadamente 37% na média geral do índice — de 0,274 em 2014 para 0,173 em 2023 —, com heterogeneidade expressiva entre capitais (variação de −1,6 p.p. em Manaus a −19,8 p.p. em Fortaleza). A expansão do EaD emerge como principal mecanismo de convergência escola-mercado no período. A decomposição por macro-categoria revela suboferta relativa em Saúde e Serviços Sociais (−15,6 p.p. em São Paulo) e excedente em Negócios e Direito (+10,0 p.p.), com implicações diretas para políticas territoriais de qualificação da força de trabalho.
