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AS EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS E LABORAIS DE JOVENS APRENDIZES:

Lucia Alvares Pedreira

2024 · DOI: 10.25247/2447-861x.2024.n263.p664-695
Cadernos do CEAS Revista crítica de humanidades · 0 Citations

Abstract

Os jovens tem sido os mais afetados pelo processo de flexibilização das relações de emprego, pelo desemprego, pela precarização do trabalho e pela violência. A preocupação com a empregabilidade se torna o foco central das políticas públicas voltadas para a juventude no Brasil tendo na política de aprendizagem profissional uma das principais alternativas. Nos últimos anos, tem crescido o número de jovens inseridos no mercado de trabalho, na condição de jovem aprendiz, constituindo-se numa das principais portas de acesso ao primeiro emprego no Brasil. O objetivo deste artigo é refletir sobre a experiência formativa e laboral de jovens aprendizes, para compreender o que representa para eles ser jovem aprendiz, e os desafios que enfrentam, ao terem, ainda tão cedo, de conciliar o mundo do trabalho com a escola e a vida juvenil. A metodologia fundamentou-se em uma pesquisa qualitativa realizada em uma das entidades formadoras de Salvador que atende jovens aprendizes. Utilizou-se da observação participante, acompanhando duas turmas de formação durante dois anos, e de entrevistas narrativas com quatorze jovens aprendizes. As entrevistas foram realizadas através de cartas com figuras que remetiam a temas da vida cotidiana como família, escola, trabalho, vida juvenil, etc. Os resultados da pesquisa apontam que se por um lado participar do Programa de Aprendizagem Profissioanl não garante aos jovens uma futura inserção no mercado de trabalho, por outro, faz transformações importantes na vida desses jovens de periferia, possibilitando que eles se reconheçam como sujeitos de direito, aprendam a se expressar, a ter voz,etc.. Conclui-se ainda, que algumas entidades que oferta formação profissional aos jovens trabalhadores, a exemplo da instituição pesquisada, tem práticas educativas ancorados nos princípios de uma educação emancipadora, possibilitando uma formação que vai além de uma mera formação instrumental voltada para apenas treinar a mão de obra.