APLICAÇÕES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL À PREDIÇÃO DE SURTOS INFECCIOSOS: AVANÇOS, DESAFIOS E IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA
APLICAÇÕES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL À PREDIÇÃO DE SURTOS INFECCIOSOS: AVANÇOS, DESAFIOS E IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE PÚBLICA
Fernando da Silva Sena,Samantha Evelyn Alves da Costa,7 Authors,Vanessa Prado Beraldo da Paz
Abstract
A Inteligência Artificial (IA) tem se destacado como uma ferramenta estratégica na saúde pública, especialmente por sua capacidade de processar grandes volumes de dados e apoiar a detecção e o monitoramento de surtos infecciosos. Diante da crescente complexidade dos cenários epidemiológicos, compreender como essas tecnologias vêm sendo aplicadas tornou-se essencial. Assim, o objetivo deste estudo foi revisar a literatura científica sobre o uso da IA na predição de surtos infecciosos, identificando suas potencialidades, limitações e contribuições para o fortalecimento da vigilância em saúde. A metodologia consistiu em uma revisão bibliográfica realizada nas bases SciELO, PubMed e Scopus, abrangendo publicações entre 2010 e 2025. Foram utilizados os descritores, artificial intelligence, infectious diseases, epidemic prediction e public health. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, os estudos selecionados foram analisados de forma descritiva e comparativa. Os resultados demonstram que modelos baseados em aprendizado de máquina e redes neurais têm alcançado elevada precisão na previsão de surtos de COVID-19, dengue e influenza, permitindo antecipação de cenários epidemiológicos e melhor planejamento de recursos. Também se observou o uso crescente de dados integrados epidemiológicos, ambientais, genômicos e provenientes de mídias digitais ampliando a sensibilidade dos sistemas de vigilância. Contudo, a discussão evidencia desafios persistentes, como a heterogeneidade e qualidade das bases de dados, a necessidade de padronização metodológica e questões éticas relacionadas ao uso de informações sensíveis, especialmente em contextos de desigualdade tecnológica. Conclui-se que a IA possui grande potencial para aprimorar a vigilância epidemiológica e apoiar decisões estratégicas em saúde pública, mas sua efetividade depende de avanços estruturais, éticos e operacionais que garantam o uso seguro, equitativo e confiável dessas tecnologias. O fortalecimento de políticas de governança de dados e investimentos em infraestrutura digital são fundamentais para ampliar o impacto positivo dessas ferramentas.
