Adoção tardia: manifestações do cotidiano de uma casa de acolhimento de Pelotas/RS
Adoção tardia: manifestações do cotidiano de uma casa de acolhimento de Pelotas/RS
L. Ribeiro,S. Goellner,Luíz Carlos Rigo
Abstract
Casas de acolhimento e práticas de adoção são dois assuntos relevantes para a sociedade brasileira. Todavia, no meio acadêmico carecemos de maiores pesquisas que tratam desses temas. Assim, este artigo teve como objetivo principal problematizar o modo como a adoção tardia se manifesta e constitui a subjetividade de crianças e jovens que fazem parte de uma casa de acolhimento da cidade de Pelotas/RS. Como objetivo específico, buscou-se narrar os contornos históricos e socioculturais que levaram à criação de instituições de acolhimento na sociedade brasileira. Por tratar de uma casa de acolhimento específica, aproxima-se de um estudo de caso (Severino, 2013). Como alicerce metodológico, utilizou-se da abordagem histórica inspirada em uma perspectiva arqueogenealógica de Foucault. O estudo também contempla alguns exemplos empíricos provenientes do convívio direto com a instituição tratada (corpus empírico do estudo). Concluiu-se que a adoção tardia é um componente constituinte das subjetividades dos acolhidos. A análise acerca da produção histórica das instituições de acolhimento e de adoção evidenciou que algumas práticas discursivas e não discursivas produziram um perfil ideal de criança desejado pela adoção, que segrega e exclui uma grande parte das crianças que se encontram em situação de acolhimento.
