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Todos realmente merecem uma chance para voar? Reflexões sobre as Ciências Humanas e Ruminações sobre as Necropolíticas presentes em ‘Wicked’, de Jon M. Chu (2024)

Luca Freire De Oliveira

2025 · DOI: 10.55905/oelv23n6-029
Observatorio de la Economía Latinoamericana · 0 Citations

Abstract

Resumir este trabalho em poucas palavras não é tarefa fácil. Todavia, é sempre um bom desafio para todo comunicador de ciência. Neste manuscrito, iniciaremos nossas discussões com perquirições (i) sobre a legitimidade de se reconhecer a seriedade das ciências sociais, (ii) sobre a inexistência de neutralidade no fazer científico e (iii) sobre o próprio caráter incerto do que, de fato, se é a ciência (Japiassu, 1975). Em seguida, já fortalecidos, produziremos uma articulação deste pressuposto com a narrativa ‘Oziana’ de Lyman Frank Baum (1900), projetando, essencialmente, contrastá-la com o spin-off que Gregory Maguire construiu para a história: ‘Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz’, criado somente 95 anos após uma das histórias mais famosas da literatura infanto-juvenil. É desta última criação que surge a adaptação audiovisual dirigida pelo cineasta Jon M. Chu, intitulada apenas por ‘Wicked’, lançada mundialmente em 2024. Partindo, então, do movimento transgressor de ousar contar os lados não-ditos da história do vilão/antagonista da narrativa (Adichie, 2019) [fornecendo à história – e à literatura per se – uma transformação epistemológica, ao se forjar um antimaniqueísmo (Chauvin, 2015), algo que não alimentava a narrativa de Baum (1900)], discutiremos as microviolências e as necropolíticas (Mbembe, 2018) que Jon M. Chu transpassa do romance de Maguire (1995) para a experiência audiovisual lançada em 2024. Não de maneira isolada, esta discussão será construída para se provocar problematizações entre as verossimilhanças presentes no universo construído e constituído pelo campo da Arte, que sobre muito pode falar, alertar e denunciar (fenômenos de um modo geral), e o mundo real, que em muito pode, através do universo da Arte, ser objeto de fala, de alerta e de denúncia. Entretanto, de igual modo, com este mesmo universo ele pode perceber a si mesmo, identificando as mazelas inerentes a si que não lhe caem bem, e, eventualmente, cogitando adentrar em um processo de reflexionalização crítica que, de repente, provoque em si o despertar de uma limpeza forçada das sujeiras que nunca deveria ter permitido acumular debaixo do tapete de sua casa.