Revisão terminológica e conceitual para organização de crises e epilepsias: relato da Comissão da ILAE de Classificação e Terminologia, 2005-2009. Novos Paradigmas?
Revisão terminológica e conceitual para organização de crises e epilepsias: relato da Comissão da ILAE de Classificação e Terminologia, 2005-2009. Novos Paradigmas?
Laura Maria de Figueiredo Ferreira Guilhoto
Abstract
Introducao: A organizacao das crises epilepticas e epilepsias vem sendo descrita em classificacoes organizadas pela Liga Internacional contra a Epilepsia (International League Against Epilepsy, ILAE) ha cerca de meio seculo. Segundo estes documentos iniciais aperfeicoados na decada de 1980, as crises foram divididas em focais ou generalizadas, de acordo com o seu modo de inicio, ou em uma regiao especifica do cerebro ou de forma bilateral, respectivamente. A etiologia das epilepsias foi considerada idiopatica, sintomatica ou criptogenica. Recentemente ampla discussao na comunidade cientifica surgiu apos a publicacao em 2010 de uma revisao terminologica e conceitual da Comissao de Classificacao e Terminologia da ILAE. Objetivo/Metodo: Divulgacao em Portugues do resumo e comentarios da discussao da “Revisao terminologica e conceitual para organizacao de crises e epilepsias: Relato da Comissao de Classificacao e Terminologia da ILAE, 2005-2009” a fim de apresenta-la aos profissionais da area de saude dos paises de lingua portuguesa. Resultados: Os termos generalizado e focal foram redefinidos; crises que ocorrem em redes neuronais bilateralmente distribuidas que rapidamente as engajam sao generalizadas; e aquelas que ocorrem dentro de redes delimitadas a um hemisferio ou discretamente localizadas ou mais amplamente distribuidas sao focais. A classificacao de crises generalizadas foi simplificada. As crises focais devem ser descritas de acordo com suas manifestacoes (por ex., discognitiva, motora, etc). Os conceitos generalizado e focal nao se aplicam a sindromes eletroclinicas. Genetico, metabolico-estrutural e desconhecido representam conceitos modificados para substituir os termos idiopatico, simtomatico e criptogenico, respectivamente. Nem todas as epilepsias sao reconhecidas como sindromes eletroclinicas. A organizacao da epilepsia e feita pela especificadade, a saber, sindromes eletroclinicas, epilepsias nao sindromicas com causa estrutural ou metabolica, e epilepsias de causa desconhecida. Classes naturais (por ex. causa especifica subjacente, idade de inicio, tipos associados de crises) ou agrupamentos pragmaticos (por ex. encefalopatia epileptica, sindromes eletroclinicas auto-limitadas) podem servir tanto para organizar o conhecimento sobre formas reconhecidas de epilepsia como facilitar a identificacao de outras novas. Varias opinioes dos especialistas internacionais sobre essa terminologia foram divulgadas e uma revisao ampliada sera apresentada em 2013 pela Comissao de Classificacao e Terminologia da ILAE. Conclusao: A Comissao de Classificacao e Terminologia da ILAE (2005-2009) revisou conceitos, terminologia e abordagens para classificar crises e formas de epilepsia tendo publicado em 2010 os resultados do grupo de discussao vigentes nessa data e os resultados finais serao divulgados em 2013.
