Análise da eficácia do laser de CO2 fracionado no manejo do líquen escleroso vulvar
Análise da eficácia do laser de CO2 fracionado no manejo do líquen escleroso vulvar
Joyce Fernandes Costa,Flávia Gioia Bragança Ribeiro,3 Authors,R. G. Piumbini
Abstract
Introdução: O líquen escleroso vulvar (LEV) consiste em uma dermatose crônica na região anogenital, especialmente nos pequenos lábios, parte interna dos grandes lábios, sulco interlabial, clitóris, vestíbulo, períneo e região perianal. Acomete mulheres principalmente na pré-menarca ou pós-menopausa. O processo inflamatório crônico pode levar a alterações na anatomia local, como reabsorção dos lábios menores, fimose do clitóris, estreitamento ou estenose do introito vaginal e alterações da pigmentação local. A doença apresenta sinais como pápulas ou placas brancas marfim com consistência cerosa ou rugas epidérmicas. O principal sintoma é o prurido local, podendo ocorrer também sintomas como disúria, dor ao defecar, dispareunia e dor vulvar crônica. Além de afetar a qualidade de vida, o LEV aumenta o risco de neoplasia vulvar, principalmente o carcinoma de células escamosas. Dessa forma, a fim de controlar os sintomas e prevenir complicações, o tratamento deve ser realizado o mais precocemente possível. O tratamento de primeira linha é o uso de corticosteroides, porém seu uso prolongado pode trazer complicações como atrofia, além do que casos graves podem ser resistentes ao tratamento. Nesse contexto, o uso de laser de CO2 microablativo vem sendo cada vez mais utilizado, pois promove a neoangiogênese, induz a formação de glicogênio e aumenta a produção de colágeno na lâmina própria, melhorando assim a esclerose e a atrofia típica. Objetivo: Determinar a eficácia da laserterapia em pacientes com LEV. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, por análise de prontuário de pacientes do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro, no período de março de 2018 a março de 2021. A amostra foi de nove mulheres com LEV submetidas a uma a quatro sessões vulvares e intravaginais com o laser de CO2 microablativo SmartXide Touch V2LR (Monalisa Touch, FI, Italy), com os parâmetros: potência média de 40 watts, efeito térmico 1.000 milissegundos e 1.000 milímetros. A eficácia foi avaliada subjetivamente por meio do relato das pacientes a cada sessão. Resultados e conclusão: A faixa etária foi de 38 a 76 anos, sendo 66% das mulheres em pós-menopausa. A principal queixa foi prurido vulvar, entre outras manifestações. Foram realizadas sessões de laserterapia intravaginal e vulvar, principalmente com variações de potência, efeito térmico, espaçamento e profundidade por sessão. Apenas uma paciente estava em terapia adjuvante. Relataram melhora após a primeira sessão 66% delas. A partir da segunda sessão, 77% apresentaram melhora importante dos sintomas. A partir da terceira sessão, apenas 33% obtiveram melhora dos sintomas. E apenas duas pacientes realizaram a quarta sessão, porém sem relato de melhora. Não foram relatados efeitos adversos durante o tratamento, assim como em outros estudos. Conclui-se, portanto, que o laser de CO2 é um tratamento inovador, com potencial de controle da doença e prevenção de complicações, especialmente o câncer de vulva.
