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Análise da eficácia do laser de CO2 fracionado no manejo do líquen escleroso vulvar

Joyce Fernandes Costa,Flávia Gioia Bragança Ribeiro,3 Authors,R. G. Piumbini

2022 · DOI: 10.5327/jbg-0368-1416-2022132s1107
Jornal brasileiro de ginecologia · 0 Citations

Abstract

Introdução: O líquen escleroso vulvar (LEV) consiste em uma dermatose crônica na região anogenital, especialmente nos pequenos lábios, parte interna dos grandes lábios, sulco interlabial, clitóris, vestíbulo, períneo e região perianal. Acomete mulheres principalmente na pré-menarca ou pós-menopausa. O processo inflamatório crônico pode levar a alterações na anatomia local, como reabsorção dos lábios menores, fimose do clitóris, estreitamento ou estenose do introito vaginal e alterações da pigmentação local. A doença apresenta sinais como pápulas ou placas brancas marfim com consistência cerosa ou rugas epidérmicas. O principal sintoma é o prurido local, podendo ocorrer também sintomas como disúria, dor ao defecar, dispareunia e dor vulvar crônica. Além de afetar a qualidade de vida, o LEV aumenta o risco de neoplasia vulvar, principalmente o carcinoma de células escamosas. Dessa forma, a fim de controlar os sintomas e prevenir complicações, o tratamento deve ser realizado o mais precocemente possível. O tratamento de primeira linha é o uso de corticosteroides, porém seu uso prolongado pode trazer complicações como atrofia, além do que casos graves podem ser resistentes ao tratamento. Nesse contexto, o uso de laser de CO2 microablativo vem sendo cada vez mais utilizado, pois promove a neoangiogênese, induz a formação de glicogênio e aumenta a produção de colágeno na lâmina própria, melhorando assim a esclerose e a atrofia típica. Objetivo: Determinar a eficácia da laserterapia em pacientes com LEV. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, por análise de prontuário de pacientes do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro, no período de março de 2018 a março de 2021. A amostra foi de nove mulheres com LEV submetidas a uma a quatro sessões vulvares e intravaginais com o laser de CO2 microablativo SmartXide Touch V2LR (Monalisa Touch, FI, Italy), com os parâmetros: potência média de 40 watts, efeito térmico 1.000 milissegundos e 1.000 milímetros. A eficácia foi avaliada subjetivamente por meio do relato das pacientes a cada sessão. Resultados e conclusão: A faixa etária foi de 38 a 76 anos, sendo 66% das mulheres em pós-menopausa. A principal queixa foi prurido vulvar, entre outras manifestações. Foram realizadas sessões de laserterapia intravaginal e vulvar, principalmente com variações de potência, efeito térmico, espaçamento e profundidade por sessão. Apenas uma paciente estava em terapia adjuvante. Relataram melhora após a primeira sessão 66% delas. A partir da segunda sessão, 77% apresentaram melhora importante dos sintomas. A partir da terceira sessão, apenas 33% obtiveram melhora dos sintomas. E apenas duas pacientes realizaram a quarta sessão, porém sem relato de melhora. Não foram relatados efeitos adversos durante o tratamento, assim como em outros estudos. Conclui-se, portanto, que o laser de CO2 é um tratamento inovador, com potencial de controle da doença e prevenção de complicações, especialmente o câncer de vulva.