A situação dos Espaços Urbanos em Moçambique: de 1980 a 2017
A situação dos Espaços Urbanos em Moçambique: de 1980 a 2017
Elmer Agostinho Carlos de Matos,Alice Alfredo Zua Nunes,Filimone Carlos António,Shaquil Rachide Rajabo
Abstract
Os espaços urbanos moçambicanos são um produto do período colonial. Após a Independência Nacional, foram implementadas várias iniciativas pelo Governo da FRELIMO com o propósito de alterar a dualidade urbana, marcada fortemente pela discriminação racial, contudo, sem o sucesso esperado. Os espaços urbanos foram reclassificados, sendo incorporadas áreas rurais. É provável que a implementação dessa medida tenha alterado os conteúdos da urbanidade, definidos por Araújo. Passados quase 50 anos após a independência, urge analisar o estágio actual da urbanização, tendo como base a análise dos conteúdos da urbanidade, nomeadamente: (i) materiais de construção; (ii) acesso à água; (iii) acesso ao saneamento básico; e (iv) acesso à eletricidade. O estudo analisa a evolução desses indicadores tendo como base os dados do censo de 1980, 1997 e 2017. Para permitir que os conteúdos dos indicadores fossem comparáveis, optou-se por ajustá-los tendo como base a informação do censo de 1980. Os dados mostram ganhos importantes nas três regiões do país. Todavia, a região Norte, incluindo a província da Zambézia, é a que obteve menos ganhos e o Sul, excluindo a província de Inhambane, é a que mais benefícios alcançou.
